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A luta de egos entre a agência tradicional e a especializada, quem ganha?

Quem já foi/é cliente de alguma agência de comunicação ou trabalha em uma, conhece a disputa que existe entre agências generalistas, também chamadas de tradicionais, e agências especializadas. Chega a ser antiético um lado tentando denegrir o trabalho do outro, coisa que infelizmente vemos com muita facilidade no mercado publicitário. Os argumentos que pautam a discussão normalmente giram em torno de “ela está ultrapassada não considera o digital como foco das ações” ou “esse tipo de agência não tem a visão global das estratégias de comunicação, e, portanto, vai te oferecer algo meia boca”. Mas, qual dos dois lados está certo? Vamos rebobinar a fita e tentar entender essas duas vertentes.

Segundo o dicionário Priberam da língua portuguesa, um dos significados da palavra agência é “Empresa que presta serviços remunerados, geralmente servindo de intermediário, na gestão de negócios ou assuntos alheios. Dessa forma, a agência é um intermediário na gestão de algum assunto, neste caso comunicação empresarial. Como intermediário, ela precisa agenciar diversos fornecedores para garantir ou ampliar sua capacidade de entrega.

Vamos fazer uma pausa para explicar qual a diferença entre generalistas e especialistas, pegando uma ponga em um quadro do ebook “El modelo de la nueva agencia”.

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Para facilitar o entendimento, funciona mais ou menos como na medicina, o clínico geral, em casos mais específicos, faz uma análise prévia, sugere uma medicação paliativa, solicita alguns exames para direcionar o paciente para um médico especialista naquela área. Na comunicação não é tão diferente, a agência full service ou integrada faz uma análise, constata o problema do cliente, direciona a estratégia que abarca várias soluções, e encaminha o cliente para um ou mais especialista naqueles serviços.

O que difere é que no nosso caso a agência “dona do cliente” pode executar tudo dentro de casa com sua própria equipe ou com fornecedores parceiros, muitas vezes sem o conhecimento do cliente (exatamente para ele pensar que ela faz tudo), ou pode direcionar o cliente para outra agência e ele intermediar o contato.

É aparentemente uma relação ganha-ganha entre agências. Na prática, seria se muitos empresários não tivessem a ganância de repassar verbas irrisórias para os subcontratados, de manipular a solução apresentada para ter a identidade da empresa dele esquecendo que o foco são as necessidades do cliente ou ainda se não existisse uma disputa de egos na comunicação. Fora isso, demanda muito do cliente lidar com vários fornecedores e manter seu posicionamento em tudo que lhe é sugerido.

A briga fica mais acirrada quando as agências especializadas decidiram correr atrás dos seus próprios clientes e deixar nas entrelinhas que não precisa das tradicionais para sobreviver. O fato é que seguindo um raciocínio lógico os dois tipos de agência são co-dependentes e fazem parte do mesmo ecossistema, no entanto é preciso maturidade para incluir a terceirização no fluxo de trabalho dessas prestadoras e serviços. Maturidade da empresa no sentido de ter processos bem definidos e dos profissionais, tanto do nível estratégico quanto do operacional, que estão orquestrando tudo que está sendo feito.

Voltando a pergunta inicial: qual dos dois lados está certo? A resposta é, está certo quem entender que não se trata de plataforma e sim de comportamento humano, quem compreender a essência de uma agência de comunicação que vai muito além da execução e diz muito mais respeito à estratégia de posicionamento da marca, quem significar que o que importa é o resultado no negócio do cliente e não a luta de egos, e quem souber reinventar o próprio negócio de sua agência para uma remuneração que vai além das horas trabalhadas e que de fato terá um valor agregado na empresa dos seus clientes.

Até porque em um cenário onde o comportamento das pessoas é digital (leia-se cliente dos nossos clientes, não apenas os consumidores), não seria o foco no digital a nova generalização? Esse é um assunto para outra publicação.

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Publicitário (a): Qual diferença o seu trabalho faz na vida das pessoas?

Desde que me tornei uma balzaquiana, tenho refletido muito sobre o impacto do meu trabalho na vida das pessoas. Minha cabeça deu uma reviravolta e comecei a pensar se o que faço enquanto publicitária é algo meramente fútil ou se tem um valor social agregado. Voltei a aquela discussão infindável que vivemos no início da faculdade: será que a publicidade é o lobo do capitalismo e só faz estimular o consumismo?

Fui vivendo minha vida com a pulga atrás da orelha até que me deparei com essa frase:

“Sucesso não é quanto dinheiro você ganha, mas a diferença que você faz na vida das pessoas”. Michelle Obama

Dei uma pausa na correria louca e comecei a pensar: bem, trabalho com comunicação digital, defino estratégia para aproximar as marcas das pessoas, muitas vezes, como sou uma espécie de faz tudo, até executo as criações e analiso os resultados. Mas, qual diferença isso faz?

Pois bem, após algumas pesquisas elaborei que a publicidade pode ter um grande papel social. Estima-se que a indústria publicitária aporta entre 1,5% e 3% ao PIB mundial, aqui no Brasil a publicidade movimentou só em 2013 R$17,5 bilhões de reais, junto com toda indústria de comunicação do país, foi responsável por 3% do PIB Nacional. Segundo o IBGE, no Brasil existem aproximadamente 23.315 agências de publicidade empregando 125.584 profissionais. Ou seja, movimenta a economia e gera empregos.

Depois percebi que o papel da publicidade vai além de criar desejos nos consumidores, nós somos responsáveis por levar informações sobre produtos e serviços e dar opções de consumo. Já pensou como seriam os preços se não existisse a concorrência entre tantas empresas? A exclusividade de alguns setores nos faz ter uma noção de como seria assustador e inviável viver sem tantas opções.

Para sintetizar as descobertas, aqui vão algumas funções da publicidade que me ajudaram a acalmar minha alma:

(1)  Econômica: ativa o consumo, ajuda a vender produtos/serviços a um maior número de pessoas possíveis, movimentando o círculo econômico (progresso tecnológico – incremento na produção – aumento do consumo)

(2)  Financiadora: possui papel fundamental no financiamento dos meios de comunicação, e, atualmente, das plataformas de relacionamento.

(3)  Realização pessoal: aproximar pessoas das marcas e instituições que oferecem produtos e serviços capazes de suprir suas necessidades.

(4)  Social: (a) suscitar a transformação social por meio de mensagens reflexivas, por exemplo, na quebra de estereótipos e na construção de novos valores comuns, e (b) informar a população sobre serviços públicos que dão a possibilidade de acesso a direitos garantidos pela constituição brasileira.

Pare um pouco e reflita: Será que o trabalho que você está desenvolvendo faz alguma diferença na vida das pessoas? Afinal, todos nós queremos entender o caminho para ter sucesso. 

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A esquizofrenia do mercado publicitário

“Todos os caminhos estão errados quando você não sabe aonde quer chegar” William Shakespeare

O mercado publicitário tem duas coisas extremamente irritantes, a primeira é a exaltação do estrangeirismo. Quem não é lá muito adepto dessa compulsão parece até sofrer de algum “delay” profissional de tão generalizada que ela é. A outra é a esquizofrenia por novidades, a mudança é quase obrigatória e não necessariamente a consequência de uma evolução (seja ela pessoal ou da área).

Me preocupa que a nossa base profissional seja tão superficial que qualquer brisa redirecione a nossa rota. Não é porque surgiu um novo conceito ou estratégia que sua agência/você tem que renomear áreas, funções e cargos. Pensa num diálogo entre gestores de agências definindo os próximos passos:

– Temos que contratar um Social Media. Melhor ainda, um Community Manager.

– Não pera tem que ter uma área de BI, vamos investir em softwares plenos.

– Wait, vamos focar em Big Data.

– Não tem que priorizar o Marketing de Conteúdo, vamos fazer muito Storytelling.

– Está bem, mas isso não é nada sem um Inbound Marketing completo e de qualidade.

Claro que os conceitos e estratégias mencionados não são excludentes, o diálogo até que faz bastante sentido. Mas, o que me deixa desconfortável é saber que, muitas vezes, essa obsessão por novidades esconde profissionais sem profundidade de conhecimento da sua responsabilidade enquanto comunicadores. O Tiririca ecoou em sua campanha o questionamento “você sabe o que um deputado federal faz?”. Chego a pensar que os profissionais do mercado de comunicação também estão precisando de uma auto avaliação e indagar a si mesmos “você sabe o que um comunicador faz?”.

Não podemos ser tão abertos ao novo e fechados para a essência do papel do comunicador. Nós não somos contratados para “modernizar” a marca com o buget do cliente. Somos contratados para entregar resultados, para levar o consumidor ao ponto de venda, para fazer a máquina de consumo girar. Somos contratados para levar uma informação clara na linguagem e no tom ideal para o público-alvo. Somos contratador para suscitar o desejo de consumir, seja bens materiais ou não. Somos contratados para persuadir e envolver.

É lógico que todas essas estratégias ajudam a cumprir o nosso objetivo, mas o entendimento do negócio do cliente, um raio-x do target e do seu comportamento enquanto consumidor vêm muito antes de definir qual ferramenta usar para mensurar os resultados, por exemplo. Vejo tanta gente criticando Philip Kotler por ele estar ultrapassado, no entanto ele teve um papel fundamental na evolução real da nossa área, quase tudo que ele escreveu continua valendo, nada daquilo se perdeu e sim é uma base essencial para o marketing. Imagina você conversando com um médico que detona um antecessor porque criou a primeira técnica de cirurgia da vesícula que está defasada. Tenho certeza que é improvável, pois para avaliar se considera quantas vidas ele salvou, os recursos que ele tinha disponível, além do quanto disruptivo e inovador ele foi para a época. Por favor, respeita o moço!

Que mensagem estamos passando para os nossos clientes? No mínimo que estamos perdidos e não sabemos muito bem o que fazer. Você entregaria a sua empresa nas mãos de profissionais com um discurso tão efêmero? Tudo bem que o grande Zygmunt Bauman disse que “Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar.” Mas, minha gente, é muita modinha para pouco resultado real.

Não estou dizendo que o profissional não deve se atualizar, não deve estar atento as mudanças do mercado. Exatamente o contrário. É preciso ler muito, participar de muitos eventos, bater muito papo com colegas da área, para poder perceber essa loucura e manter um posicionamento mais equilibrado, se distanciando dessas novidades que se tornam verdades absolutas tão rapidamente e que são totalmente perecíveis.

* O estrangeirismo presente no texto é uma sátira.

 

Por Danila Dourado

11 Dicas para pesquisa acadêmica em comunicação digital

 

Muita gente me pergunta sobre como é fazer pesquisa acadêmica na área de comunicação digital, por isso resolvi dar algumas dicas práticas para facilitar a vida de estudantes e pesquisadores dessa área. Nessa exato momento estou imersa na minha tese de doutorado, farei o depósito no início de dezembro e provavelmente defenderei no começo de fevereiro.

 

Diferente de grande parte dos acadêmicos, não consegui parar de atuar no mercado de agência e clientes durante o desenvolvimento da tese. Essa foi a razão que me fez adotar algumas técnicas com enfoque bem prático, já que eu não tive disponível o tempo necessário para significar todas as novas leituras e percepções profissionais que já trazia. Quem me conhece sabe que adoro uma sistematização, acho que facilita a vida e ajuda tangibilizar a teoria. Pensando nisso, criei alguns passos para guiar sua monografia, artigo, dissertação ou tese em comunicação digital.

 

1 – Escolha um orientador humilde e com uma ampla visão de mundo: escolhi a minha orientadora durante o mestrado lá na Espanha logo nas primeiras semanas de aula do primeiro semestre (lá não é preciso escolher durante a inscrição). Tive que dar um retorno rápido à coordenação, então comecei a buscar professores titulares que tivessem uma história de vida desafiadora com muitas publicações conjuntas, mudanças de cidades e experiência em outros países, normalmente são fatores que nos ajudam a perceber a nossa insignificância diante do mundo. Queria alguém que tivesse filho, na minha cabeça esse era um indício de condescendência com o outro, e que cumprisse os horários de atendimento aos alunos, ou seja, que tivesse compromisso. Selecionei 4 professores do departamento mais próximos da amplitude do objeto de pesquisa que tinha em mente, mas quando apliquei os requisitos do meu processo seletivo ficou só uma, Guadalupe Aguado, que vem me acompanhando desde 2009.

 

2 – Alinhamento de expectativas: defina quanto tempo disponibilizará diariamente, semanalmente e mensalmente para a pesquisa. Consulte o cronograma da sua universidade e faça uma conta de padaria da evolução que precisa ter para alcançar o seu objetivo. Alinhe com o seu orientador o método de trabalho dele (Pode enviar por email?, Ele de fato vai ler ou só vai orientar na bibliografia? Ele fará revisão de ABNT ou nem pensar? Quantos alunos mais ele está orientando no momento?), além dos dias e horários que ele estará disponível. Faça as perguntas de forma objetiva e sem melindres, nesse momento já perceberá se está com uma expectativa deslocada da realidade. Se perceber que não vai dar tempo, reveja as suas prioridades.

 

3 – Busque referências sobre o tema: essa dica pode parecer meio óbvia, mas é de grande valor. Você precisa fazer uma grande busca de bibliografia no seu tema de pesquisa por todas as vias possíveis: online, em bibliotecas, nas pessoas e no mundo. Comece indo no Google Acadêmico e pesquise tudo sobre seu objeto de pesquisa e temáticas tangenciais a ele. Logo passe para uma base de dados de indexação bibliográfica (ScienceDirect, Scielo, Dialnet, etc). Em seguida liste as principais referencias online por meio de um mapeamento de blogs e profissionais relevantes. Além disso, é interessante criar um alerta no Google para ser avisado sobre novas publicações no assunto que tem interesse.

 

4 – Classifique a bibliografia: classifique todo o material encontrado por categorias temáticas por proximidade, logo defina a prioridade de leituras em cada uma delas. Durante essa classificação você começará a se aproximar do seu objeto de pesquisa e entender de forma macro o marco teórico o estado da questão. O que é mais relevante? Defina relevância por credibilidade do autor ou da publicação, volume de citações à sua obra (pode ter uma ideia no Google Acadêmico), contribuição da pesquisa à uma evolução do entendimento do assunto.

 

5 – Faça um escopo preliminar: é preciso definir um roteiro para sua pesquisa para guiar o caminho que precisará percorrer, isso evitará que fique dando voltas sem saber o que precisa fazer. Esse escopo pode ser em formato de índice da pesquisa, é um desenho da sua pesquisa e da metodologia que pretende seguir. Em seguida retome a classificação e enquadre as referências dentro de cada capítulo e tópicos que serão abordados.

 

6 – Faça um cronograma geral da sua pesquisa: esse cronograma já levará em conta a metodologia que será aplicada, a dedicação do orientador e do pesquisador, além do escopo inicial da pesquisa. Conte com todas as etapas, desde a produção de cada capítulo, passando a revisão ortográfica e gramatical, revisão da ABNT, elaboração da bibliografia, até chegar a revisão final do orientador, impressão e trâmites burocráticos da universidade. Não deixe para pensar nesses itens em cima da hora, normalmente esses são os estopins do desequilíbrio emocional do acadêmico.

 

7 – Se o seu orientador não orienta, procure um tutor: cada universidade funciona de uma forma, e normalmente a troca de orientador é muito sofrida, já que você entrará para um lista negra eterna do desnaturado (a) e de toda a sua panelinha do departamento. Particularmente não tive que passar por isso, mas já ouvi casos que inclusive fizeram o aluno desistir da pesquisa. Vamos ser práticos, se trata do seu futuro profissional, mais vale ter uma indisposição com alguém do que um resultado negativo que pode ser um fracasso para sua vida. Tente ser o mais sincero desde o início lá no alinhamento de expectativas, mas se mesmo assim o orientador te deixar na mão, seja safo e sugira a ele que a equipe (você e ele) precisam de um tutor. Em geral pode ser bem difícil encontrar porque a faculdade não paga, mas busque alguém que você confie (professor, amigo ou profissional) para aquelas orientações menores, e centralize os pontos mais importantes no orientador.

 

8 – Evite a paranoia da perfeição: entenda que é só uma pesquisa que te ajudará a evoluir como pessoa e profissional, então não fique pensando que será o momento de você mostrar todo o seu potencial, que qualquer erro definirá o seu futuro e que é uma oportunidade única em sua vida. Tudo isso tem um fundo de verdade, mas o fato é que não dá para ser perfeito se você não tiver 100% focado, é impossível conseguir excelência equilibrando mil bolas de uma vez. Considere as mazelas que encontrará pelo caminho e curta a trajetória, evitando o excesso de ansiedade pela grande chegada na defesa e conquista do título. Aproveite ao máximo as descobertas da sua pesquisa, traga leveza para esta atividade, caso contrário será mais um peso que você não conseguirá carregar por muito tempo. Faça o seu melhor dentro das suas circunstâncias, esse é o maior comprometimento que você precisa ter.

 

9 – Não vá na onda dos psicopatas da produtividade: você terá colegas que ficará te passando um overview de quantas páginas já fez, e, seguramente, vai alucinar porque ele tem 100 a mais que você. Há muito tempo a pesquisa acadêmica deixou de ser um amontoado de citações e conexões desconexas, o foco é a qualidade da sua evolução. Eu mesma sou mestre em escrever muito sem dizer nada. Posso entregar 50 páginas de um dia para o outro sobre qualquer tema que você imaginar, mas se elas vão te servir para alguma coisa, aí já são outros quinhentos. Evolua no seu ritmo, dentro do cronograma estipulado e com alegria a cada nova descoberta.

 

10 – Seja prático para lidar com a sua ansiedade: por mais que esteja tudo sob controle você ficará ansioso e um pouco descompensado emocionalmente. É normal, afinal são muitas expectativas e medos. Então já que sabemos que isso acontece nas melhores famílias de pesquisadores, vamos nos preparar para esse momento. Em geral, quando bate o desespero temos um branco na mente, não conseguimos construir frases coerentes, ficamos paralisados diante do nosso estudo. Então a dica é preparar uma lista com todo trabalho mais “mecânico” que terá que fazer (tabelas, cadastro de bibliografia, trâmites burocráticos da universidade, índice, revisão da norma padrão – ABNT no Brasil, etc.). Assim, quando você não tiver em um bom momento, pode passar a fazer essas atividades e evitará a preocupação de passar alguns dias sem fazer nada.

 

11 – Impressione na apresentação da sua pesquisa: então capriche na introdução e conclusões, assim terá um começo que desperte o interesse por sua pesquisa e um final arrematador. Tenha cuidado com a impressão do material, não entregue qualquer coisa, fora do formato requisitado ou encadernado às pressas, isso demonstrará descuido. Você precisa guardar energia para fazer uma apresentação muito atrativa e conquistar a banca. Esse é o momento de você demonstrar segurança no conhecimento adquirido, ninguém da banca entende mais da sua pesquisa do que você. Não ultrapasse o tempo, por isso é importante treinar em casa e evitar slides com muito texto. Normalmente você terá entre 20 e 30 minutos para apresentar o seu estudo da melhor forma possível, não desperdice esse tempo valioso com o medo de não ser bom o suficiente. Após as considerações da banca, responda cada ponto com firmeza, e, não esqueça de levar um exemplar impresso para apontar exatamente em qual parte se encontra algo sobre cada questionamento.

 

O mais importante de tudo é ter paixão por ser tema de pesquisa, isso te fará encarar as adversidades do percurso com leveza. Espero que essas dicas singelas te ajude na sua trajetória na pesquisa acadêmica. Tenha ânimo e siga em frente!

Canvas do planejamento de comunicação

No último sábado (31/10) a ABRADI/GO realizou o DigitalOutbox 2015, que pelo terceiro ano consecutivo trouxe a Goiânia o maior evento de digital do estado. Cerca de 200 pessoas se reuniram para aprender mais desse mercado tão dinâmico em crescente ascensão, e, para minha alegria, eu estava entre as convidadas para palestrar. Com o título planejamento de comunicação: criatividade x resultados, minha apresentação trouxe aos participantes uma nova perspectiva, demonstrando por meio de uma ferramenta visual baseada no design thinking, os 9 elementos de um planejamento.

Comecei minha fala com 5 premissas para um planner:

  1. Não existe planejamento digital e offline
  2. Não se trata de tecnologia, e sim de comportamento humano
  3. Não existe um novo marketing, mas sim uma mudança de foco do produto/serviço para o usuário
  4. Ferramentas servem apenas para facilitar a execução de uma ideia
  5. A convergência se produz no cérebro das pessoas

A partir daí iniciei a exposição de um método que elaborei baseado no Canvas Business Model criado pelo Alex Osterwalder. Seguramente sou uma das grandes admiradoras da facilidade que o canvas agrega à co-criação ao aproveitar a diversidade da equipe e diminuir os ruídos no processo. De tanto perceber em minhas aulas e palestras por aí a dificuldade em entender o escopo base de um planejamento e as mil variações que podem ter de acordo com o autor, resolver fazer algo mais simples, mas sem reduzir a importância de nenhum aspecto essencial.

“Tudo deveria se tornar o mais simples possível, mas não simplificado.” (Albert Einstein)

São 9 elementos que traz uma visão contemporânea do planejamento:

  1. Proposta de valor
  2. Problema
  3. Posicionamento
  4. Público
  5. Canais
  6. Conteúdos
  7. Ações de engajamento
  8. Relacionamento
  9. KPI’s

A palestra foi focada em explicar a relevância de cada um desses tópicos e em demonstrar a aplicabilidade da metodologia do Canvas de Planejamento de Comunicação para agências e clientes de qualquer porte, onde o foco central sempre serão as “pessoas humanas” com histórias, experiências e sentimentos.

Esse canvas do planejamento de comunicação facilitará o brainstorm e a co-criação com a perspectiva de todas as áreas envolvidas no job. Além disso, vale lembrar que ele não é o produto final do planejamento. A partir dele o planner (ou responsável pelo planejamento) deverá elaborar o documento que será entregue e/ou apresentado para o cliente.

Confira a apresentação completa:

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A presença dos negros nas agências de publicidade

“Sou sertanejo. Não sei se por isso, mas sou meio cético, examino muito bem todas as ideias que me apresentam” Ariano Suassuna

Outro dia estava vendo uma aula do Ariano Suassuna, e ele disse essa frase. Me identifiquei muito, não só por ser do Sertão baiano, mas por ter que me aproximar mais de alguns temas para ter uma maior empatia. E não seria diferente com a inclusão racial.

Já estive no time que pensava que a vida era difícil para pobres negros e brancos da mesma forma. Que ao invés de ficarem ‘se fazendo de vítima’, os negros deveriam ir lá e mostrar o seu potencial. Assim é a meritocracia, mas de tanto acompanhar debates sobre uma discriminação velada em toda a sociedade que reflete no mercado de trabalho, comecei a ter a curiosidade de analisar como seria na prática. Meu desconhecimento sobre a inclusão racial era mais uma questão que ainda não tinha sido plenamente elaborada, estava em aberto e precisa de um maior aprofundamento para conseguir me posicionar melhor.

Com esse interesse prévio, a publicação realizada pela agência Africa, que trouxe uma intensa discussão sobre a presença de negros na publicidade, foi muito construtiva. No começo pensei que fosse mimimi, que ninguém pode fazer nada mais na internet que vem os black blocs na timeline, mas fui vendo que não era bem assim. De fato a industria publicitária tem sido cruel com as minorias.

inclusão racial mercado de trabalho inclusão racial mercado de trabalho inclusão racial mercado de trabalho

Por mais que eu odeie reivindicações que não agreguem uma ação com potencial de transformação, toda essa visibilidade do post no Facebook da agência foi super útil por despertar a vontade de entrar nos sites de várias agências e verificar se tinham negros na equipe. Em uma observação rápida, vi que era praticamente nula. Logo pensei em fazer um estudo e identificar o percentual de negros nas 50 maiores agências de publicidade do Brasil, segundo o ranking do IBOPE. Convidei o André Brazoli, que já trabalhou comigo na Moringa como analista de monitoramento e métricas, e a Teresa Rocha que também tive a oportunidade de conhecer como gerente de projetos na PaperCliQ. Ambos são negros, super engajados na causa e atuantes no mercado publicitário.

Pois bem, analisamos e descobrimos que de 404 executivos da alta direção das agências analisadas, apenas 3 são negros, um percentual ínfimo de 0,74%. Fomos além, fizemos uma busca aleatória no Linkedin de 893 profissionais que declaravam em seus perfis que fazem parte de alguma das 10 primeiras agências. Para nossa surpresa, apenas 3,5% são negros. Veja o estudo completo:


Valorize a diversidade em sua agência

Realmente a diversidade no mercado publicitário é um problema, estamos em uma área elitista, e, por mais incrível que pareça, conservadora. Mas, pensamos que não necessariamente seja por racismo, pode ser pela dificuldade de acesso dos negros à qualificação – por demandar muito investimento (tempo e dinheiro) na formação. Para tentar ajudar na inclusão dos negros nas agências de publicidade, fizemos um formulário onde os profissionais podem realizar um cadastro simples com nome, área de atuação, especialidades e link do currículo. Clique aqui.

Prometo manter uma lista atualizada aqui no blog com esses nomes :)

Agências tradicionais x agências digitais: uma batalha controversa no #SMWSP

Foi na tarde de ontem e com a sala lotada que tive o prazer de participar do Social Media Week de Sampa. A experiência de participar de um evento global que acontece em cinco continentes foi maravilhosa. O tema é ainda mais apaixonante: mercado de agências criativas. Sim, sejam essas agências full service, tradicionais, digitais ou especializadas, elas precisam utilizar, acima de tudo, a criatividade em prol da entrega de resultado real para o negócio do cliente.

Todo mundo está cansado de saber que é preciso integrar o on/off e que o que foco precisa ser a experiência do cliente dos nossos clientes, e não na plataforma. Mas, será que é tão fácil assim conseguir esse resultado? Tudo bem que somos uma área nova, somos praticamente pré-adolescentes e como todo mundo que passa por essa fase, estamos um pouco confusos, querendo provar nosso valor e demonstrar a nossa independência. Porém, tem muita gente por aí metendo os pés pelas mãos, e ao invés de advogar a favor do fortalecimento do digital por meio de ações de sucesso, estão ampliando a desconfiança que há entorno da eficiência dos resultados que podemos alcançar. Claro que não é de propósito, mas todos nós enquanto PROFISSIONAIS da comunicação digital, precisamos contribuir com a proposta de valor das nossas agências, ou seja, precisamos trabalhar para entregar resultados reais para o negócio das marcas que confiaram a NÓS o seu posicionamento online.

Muito lindo tudo isso, o que podemos fazer para nos adaptar a esse cenário? A primeira coisa é ter humildade para entender todas as transformações que nosso ecossistema sofreu.

O cliente saiu do modelo product center para customer center alguns já estão passando ao experience center, e ainda é incentivado a comprar a mídia diretamente, o que muda a lógica da concepção de rentabilidade para o negócio.

A mídia passou a ser uma grande distribuidora de conteúdo, não produz mais ‘quase’ nada, a segmentação evoluiu de demográfica para comportamental (indo para o behavioral target) e as novas ferramentas de mensuração de resultados, como por exemplo os adserver, fazendo com que os anunciantes estejam mais munidos de informação para questionar e exigir resultados.

O consumidor foi transformado, essa é a mudança mais debatida pelo nosso mercado, há um empoderamento que o faz ecoar a voz internet afora com suas recomendações, o que impactou diretamente o processo de decisão de compra. Além disso, há uma fragmentação da atenção fortalecida pelo fenômeno da segunda tela e das possibilidade infinitas do real time.

E as agências, onde ficam em meio a todas essas mudanças? Praticamente elas perderam o principal centro de rentabilidade comissionamento por agenciamento (o popular BV), tiveram que agregar profissionais de diversas áreas: diversos especialidades da comunicação, programadores, estatísticos, arquitetos da informação, analista de sistema, pesquisa de mercado, engenheiros de softwares. Ainda conseguiu incorporar processos da tecnologia, como, por exemplo, a metodologia PMP, a utilização de softwares para gerenciamento dos projetos. Tudo isso resulta em uma necessidade cada vez mais emergente: é preciso reinventar o modelo de negócio dessas agências.

Nesse sentido, a pesquisa preliminar da minha tese já trouxe alguns resultados interessantes que podem ser ampliados a medida que mais gente participar e responder o questionário. Me ajudem a divulgar, com certeza todos ganharemos com as análises que farei em um relatório público, previsto para ser publicado em março de 2016. Responda a pesquisa e me ajude a desbravar o desconhecido: https://modeloagenciadigital.typeform.com/to/ubJDUG