Anarquia democrática do marketing viral

As redes sociais são propicias para ser utilizadas como plataforma de distribuição de conteúdos, com isso, geram um tráfico baseado na economia da colaboração e contraprestação gratuita por parte dos usuários. Eles mesmo geram, distribuem e recomendam informação evidenciando um modelo comunicativo completamente oposto ao dos meios de comunicação tradicional, que selecionam, avaliam e constituem uma agenda informativa de acordo aos critérios de hierarquia da organização editorial. Sendo assim, “o esquema centralizado, onipotente, absolutista, controlador, não funciona” Aguado & García (2009:44).

A internet como um todo, e mais ainda as mídias sociais, está enraizada em um sistema colaborativo, interativo, democrático, e requer de uma habilidade impressionante para estabelecer alianças com os usuários. Estas são características praticamente inatas a esse canal de comunicação, mas que ainda não foram decodificadas com clareza por muitas empresas que sustentam uma identidade digital.

Recentemente no twitter presenciamos a expansão viral das rashtags #calabocagalvao #calabocatadeuschmidt, e a organização do movimento social #diasemglobo, que não tinha uma reivindicação explicita, mas implicitamente pretendia punir a Globo pelos comentários polêmicos da sua equipe jornalística.

Foram dias liderando o trending topics mundial, que são os temas mais mencionados no cenário mundial dentro do twitter. De tudo isso ficou uma dúvida no ar: qual foi a reação da Globo diante dessa eminente crise de reputação?

Segundo afirmações da própria emissora nenhuma, inclusive tentou dar uma saída divertida colocando o Galvão Bueno para falar sobre o episódio:

No entanto, existem inúmeros boatos que afirmam que inicialmente a Globo tentou patrocinar a retirada dos TT`s anarquizados, e inclusive fez ginásticas nas transmissões dos jogos do Brasil para driblar a faixa “Cala a boca galvão”. Não se sabe ao certo a veracidade da informação, mas sem dúvida esses movimentos demonstraram a força do buzz nas redes sociais, e a dimensão desproporcional que uma simples reclamação, que antes era feita com os amigos em uma conversa de boteco, pode alcançar em uma rede de conexão global.

Não faz sentido que uma marca pense que tem o controle do que se publica, já que o marketing viral envolve aos destinatários, seduz, evolui nas mãos dos usuários que empresta sua credibilidade como agente influenciador para viralizar a mensagem exposta.

Por mais que muitas análises afirmem que o IBOPE da Globo continuou o mesmo, a campanha dos usuários no twitter contra a emissora é uma afirmação do poder e da repercussão que as mídias geradas pelos consumidores (Consumer Generated Media) tem conquistado no mercado se tornando o principal termômetro para avaliar a reputação digital de uma empresa.

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