A esquizofrenia do mercado publicitário

“Todos os caminhos estão errados quando você não sabe aonde quer chegar” William Shakespeare

O mercado publicitário tem duas coisas extremamente irritantes, a primeira é a exaltação do estrangeirismo. Quem não é lá muito adepto dessa compulsão parece até sofrer de algum “delay” profissional de tão generalizada que ela é. A outra é a esquizofrenia por novidades, a mudança é quase obrigatória e não necessariamente a consequência de uma evolução (seja ela pessoal ou da área).

Me preocupa que a nossa base profissional seja tão superficial que qualquer brisa redirecione a nossa rota. Não é porque surgiu um novo conceito ou estratégia que sua agência/você tem que renomear áreas, funções e cargos. Pensa num diálogo entre gestores de agências definindo os próximos passos:

– Temos que contratar um Social Media. Melhor ainda, um Community Manager.

– Não pera tem que ter uma área de BI, vamos investir em softwares plenos.

– Wait, vamos focar em Big Data.

– Não tem que priorizar o Marketing de Conteúdo, vamos fazer muito Storytelling.

– Está bem, mas isso não é nada sem um Inbound Marketing completo e de qualidade.

Claro que os conceitos e estratégias mencionados não são excludentes, o diálogo até que faz bastante sentido. Mas, o que me deixa desconfortável é saber que, muitas vezes, essa obsessão por novidades esconde profissionais sem profundidade de conhecimento da sua responsabilidade enquanto comunicadores. O Tiririca ecoou em sua campanha o questionamento “você sabe o que um deputado federal faz?”. Chego a pensar que os profissionais do mercado de comunicação também estão precisando de uma auto avaliação e indagar a si mesmos “você sabe o que um comunicador faz?”.

Não podemos ser tão abertos ao novo e fechados para a essência do papel do comunicador. Nós não somos contratados para “modernizar” a marca com o buget do cliente. Somos contratados para entregar resultados, para levar o consumidor ao ponto de venda, para fazer a máquina de consumo girar. Somos contratados para levar uma informação clara na linguagem e no tom ideal para o público-alvo. Somos contratador para suscitar o desejo de consumir, seja bens materiais ou não. Somos contratados para persuadir e envolver.

É lógico que todas essas estratégias ajudam a cumprir o nosso objetivo, mas o entendimento do negócio do cliente, um raio-x do target e do seu comportamento enquanto consumidor vêm muito antes de definir qual ferramenta usar para mensurar os resultados, por exemplo. Vejo tanta gente criticando Philip Kotler por ele estar ultrapassado, no entanto ele teve um papel fundamental na evolução real da nossa área, quase tudo que ele escreveu continua valendo, nada daquilo se perdeu e sim é uma base essencial para o marketing. Imagina você conversando com um médico que detona um antecessor porque criou a primeira técnica de cirurgia da vesícula que está defasada. Tenho certeza que é improvável, pois para avaliar se considera quantas vidas ele salvou, os recursos que ele tinha disponível, além do quanto disruptivo e inovador ele foi para a época. Por favor, respeita o moço!

Que mensagem estamos passando para os nossos clientes? No mínimo que estamos perdidos e não sabemos muito bem o que fazer. Você entregaria a sua empresa nas mãos de profissionais com um discurso tão efêmero? Tudo bem que o grande Zygmunt Bauman disse que “Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar.” Mas, minha gente, é muita modinha para pouco resultado real.

Não estou dizendo que o profissional não deve se atualizar, não deve estar atento as mudanças do mercado. Exatamente o contrário. É preciso ler muito, participar de muitos eventos, bater muito papo com colegas da área, para poder perceber essa loucura e manter um posicionamento mais equilibrado, se distanciando dessas novidades que se tornam verdades absolutas tão rapidamente e que são totalmente perecíveis.

* O estrangeirismo presente no texto é uma sátira.

 

Por Danila Dourado

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Sonhar e Viver, um projeto social diferente

Sempre admirei muito pessoas com espírito nobre que dedicam parte da sua vida a ajudar os outros. Essa é realmente uma atitude admirável, valorizaremos ainda mais se pensarmos que hoje tempo é dinheiro e esse é também chamado por alguns como “movedor do mundo”. Não reconheço toda essa magnitude no poder de aquisição, não penso que, apenas ele, possa determinar o futuro de uma pessoa. Creio que os sonhos são de fato os principais movedores da vida.

Sempre me intriguei por que uns conseguem sair de uma condição precária de vida e outros não. Seria apenas questão de sorte? Não acredito nisso. Certamente existe uma lógica para tudo nesse universo grandioso, e claro que não poderia ser diferente quando o assunto somos nós, seres humanos. Essa reflexão tem se intensificado muito nos últimos anos e foi a partir dela que cheguei a conclusão que, é a capacidade de sonhar, somada com uma fé inabalável que diferencia os que conseguem (pode ser desde fé em si mesmo, no universo, ou em Deus, como é o meu caso).

Pensando nisso, comecei a me fazer o seguinte questionamento: Se os sonhos são os movedores da vida, então por que não estimular adolescentes carentes a sonhar? A partir daí, me desafie a fazer algo em prol dessa causa. A ideia inicial era usar o conhecimento que tenho para tentar influenciar positivamente jovens que vivem em zonas de risco. Foi aí que o projeto social Sonhar e Viver nasceu em meu coração.

sonhareviver_social

A vida sofrida, o preconceito social e uma realidade, em grande parte dos casos, de disfunção familiar, fazem esses jovens perder a fé em si mesmos. Por isso, estruturei um curso focado nos adolescentes, idade complicada onde normalmente estamos mais propensos a nos perdermos de nós mesmos. Como eu já tinha a premissa de começar com algo que eu fosse boa, e entendi que um conteúdo apenas focado em sonhos dificilmente despertaria interesse nessa faixa etária, estou criando o curso “Analista de mídias sociais”.

A minha visão de empreendedora logo me fez associar a uma necessidade real do mercado de comunicação digital da capital federal. Existe uma forte demanda para o perfil profissional de analista de mídias sociais em Brasília, não temos pessoas qualificadas e a todo momento sofremos para contratar.

O objetivo é focar em cursos técnicos para mostrar a esses jovens que eles podem mais, podem mudar a história das suas famílias, e até mesmo, ir além dos sonhos que seus dedicados pais imaginaram. Conversei com o pastor Murilo Augusto da minha igreja – para quem não sabe sou cristã da Igreja Batista Koinonia de Águas Claras – ele logo me falou que posso começar ministrando esse curso na Associação da Igreja no Areal, região desfavorecida de Águas Claras/DF.

Pois bem, já criei um curso de 3 meses com a carga horária de 36h. Porém, não quero apenas ensinar e deixá-los aí. Gostaria de reconhecer aqueles que se destacassem disponibilizando bolsas de menor aprendiz em empresas, assim eles teriam uma inserção no mercado de trabalho e poderiam praticar todo o conhecimento adquirido. Além disso, quero muito que eles enxerguem um potencial real no curso, por isso desejo que alguma escola técnica do mercado possa me ajudar a realizar um curso com uma certificação que agregasse mais valor na participação em processos seletivos. Por exemplo, se ao invés de um certificado da associação da igreja eles tivessem um certificado do SENAC, seria genial.

Como sonhar pequeno não é o meu forte, gostaria de dar todo o material do curso e uma pequena ajuda de custo para auxiliá-los nesses 3 meses de curso. Sei que a vida deles é complicada, então não é tão simples assim disponibilizar 3 ou 4 horas por semana para aprender algo além do que já precisam fazer na escola.

Compartilho essa ideia com vocês por confiar na capacidade de realização dessa linda rede de contatos que construí em minha curta vida. Afinal, “quando uma criatura humana desperta para um grande sonho e sobre ele lança toda a força de sua alma, todo o universo conspira a seu favor” Johann Goethe

O que preciso?

– Empresas que possam disponibilizar bolsas

– Instituição educacional que possa certificar o curso

– Gráfica que imprima o material do curso

– Financiamento privado de ao menos R$50 por aluno ano mês

Previsão da primeira turma: 1º semestre de 2015

Turmas: até 20 alunos

O retorno à blogosfera

Eu volteiÉ com alegria que escrevo esse post de mulherzinha, todo sentimental, para avisar que não conseguia mais viver sem a vida de blogueira, por isso resolvi voltar. Você que é novo por aqui deve estar pensando que nem lembra mais quando foi mesmo que eu “blogava”. Pode parecer distante, mas foi ainda nesse século, entre 2009 e 2011 consegui manter meu blog atualizado com muita frequência. Tinha sede de compartilhar com vocês o que estava aprendendo no meu mestrado na Espanha e durante a minha volta ao Brasil.

De lá pra cá a vida ficou de pernas para o ar, uma correria tremenda, o tempo se tornou artigo de luxo. Me senti pressionada e só me restava duas opções: deixar algumas atividades de lado ou enlouquecer. É claro que resolvi ficar com a primeira, por mais que ainda haja vestígios em mim da segunda.

Pois bem, de 2011 até hoje, não parei de fomentar o conhecimento e tentar contribuir com o mercado de comunicação digital. Participei de alguns eventos, dei algumas aulas, coloco aqui os mais marcantes para vocês terem uma ideia da #vidaloka:

Experimentei alguns temas, repensei minha linha de pesquisa, até que me achei. Inventei de fazer um MBA em Gestão Estratégica na USP e retomei meu doutorado com força total, a previsão é que eu defenda a tese em outubro de 2015. Estou muito empolgada com minha pesquisa sobre os modelos de negócios das agências digitais do Brasil, Espanha e Estados Unidos,  esse é o maior motivo para eu me sentir confortável a voltar a escrever por aqui.

Espero que você ainda esteja por aqui para compartilhar conhecimento comigo ;)

Abraços,