Moderador, Community Manager e Analista de Mídias Sociais: Juntos, mas não misturados.

Tenho investigado muito sobre as funções de um profissional de comunicação nas mídias sociais e, apesar de não existir grandes referências bibliográficas sobre esse tema, percebo que até mesmo na prática ocorre uma certa confusão entre os envolvidos nesse dilema para chegar a um consenso e dar “nomes aos bois”, se assim podemos dizer.

Seguramente parte da incerteza sobre funções, formação, habilidades e até mesmo com o título profissional propriamente dito, parte do fato que essa é uma área muito nova e que ainda não terminamos de entender todas as suas possibilidades. Por isso, existem pessoas que se auto-intitulam analista de mídias sociais, mas que não sabem explicar exatamente o que isso significa.

Talvez outro agravante para essa incerteza decorre da amplitude do marketing nas mídias sociais, que engloba publicidade, venda, atendimento ao cliente, fidelização, comunicação corporativa, desenvolvimento de produtos, pesquisa de mercado, etc. Por isso, vou tentar esclarecer humildemente o que tenho entendido por moderador, community manager e analista de mídias sociais, após uma conversa com minha amiga Alba Calvillo que investiga ativamente esse assunto.

· Moderador – Tem como principal tarefa zelar pela qualidade do conteúdo gerado pelos usuários, comprovando se cumprem as regras de conduta de uma comunidade ou canal de comunicação, para evitar que haja problemas de convivência entre seus membros. Pode também servir de dinamizador que seria um membro mais que estimula os debates, participa ativamente, ajudando que a comunidade se mantenha viva.

· Community Manager – É o profissional responsável por sustentar, acrescentar e, de certa forma, defender a relação da empresa com seus clientes no âmbito digital. Portanto, deve entender que estratégias tem que seguir para construir relações em torno da marca e manter interações pessoais com os membros da comunidade da marca que representa. Suas ações estão baseadas nos planos de comunicação clássicos. Analisa os stakeholders, objetivos, estratégias, mensagens, canal dentro da internet e ações que irão desenvolver.

· Analista de Mídias Sociais – A principal diferença com o Community Manager é o conceito de comunidade. Ou seja, podem utilizar esses canais para propor estratégias de marketing (desde promoções a campanhas), mas não buscam necessariamente criar ou manter uma comunidade em torno de uma marca. Seu ponto de vista é mais corporativo e menos usuário.

Esse é um tema bastante interessante, e pretendo seguir abordando em futuros posts detalhando mais os requisitos técnicos de cada um, habilidades pessoais, formação profissional, etc. Como são conceitos bastantes novos deixo aberto a discussões. Vocês sempre podem concordar, discordar ou completar as informações que tenho postado. Sintam-se a vontade.

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Existe um modelo de negócio viável para as redes sociais?

Para responder essa pergunta, vou partir de um estudo que elaborei recentemente com a Marta Fernandéz intitulado: “Mirada Hacia el Futuro: Planificación estratégica en el negocio de las redes sociales”, analisamos estratégias que estão sendo aplicadas nos Estados Unidos, Europa e Ásia e concluímos que existem alguns modelos de negócios que estão funcionando:

1 – Freemium, consiste em oferecer uma App grátis e cobrar por algumas funções especiais. Segundo um estudo de Juniper Research, esse modelo representará ingressos de 14 bilhões de dólares para a indústria de dispositivos móveis em 2014. Um bom exemplo é a App Store da apple, que vende aplicativos para o IPhone, alguns deles são oferecidos gratuitamente, mas depois de instalados os usuários tem a opção de baixar partes avançadas do aplicativo. Com esse tipo de recurso em um ano a Apple Store conseguiu mais de 1,5 bilhão de downloads.

2 – Social Shopping que consiste na compra e venda de produtos através das redes sociais, seria o e-commerce dentro das mídias sociais. Esse modelo está tendo êxito na Ásia, estima-se que os asiáticos gastaram 5 bilhões de dólares no ano de 2009 em compras mediante redes sociais como Qzone, Cyworld na Coréia do Sul e na rede de telefonia celular Gree do Japão, segundo Plus Eight Star. Esse modelo pode ser muito efetivo quando analisamos a realidade sobre recomendação nas mídias sociais, 78% dos consumidores confiam mais na recomendação de uma amigo ou familiar do que em qualquer outra fonte de informação, segundo estudo feito por Nilsen.

3 – Não é um modelo, mais é uma via para agregar valor e o negócio ficar mais atrativo para anunciantes e investidores, seria investir no Behavioral Targeting, que é uma técnica de segmentação baseada no comportamento de navegação dos usuários. Através da aplicação dessa técnica se pode conhecer que conteúdos o usuário lê, quanto tempo passa neles, com que freqüência consultam, as palavras chaves que buscam, etc. Fornecendo dados suficientes para que possamos reagir frente a esses perfis, com envio de mensagens publicitárias adequada, uma oferta eletrônica para estimular o social shopping, e inclusive mostrar conteúdos diferentes de acordo com o perfil do usuário. O Facebook utiliza essa técnica para envio de mensagens publicitárias de acordo ao perfil do usuários.

4 – Investir em redes sociais verticais, que tratam de temas específicos, arrematando consumidores que tem predisposição real em determinados assuntos. Os usuários estão conectados por um interesse em comum, criando assim um ambiente extremamente receptivo a mensagens sobre o tema central da discussão. Proporcionando, dessa maneira, uma maior eficácia na comunicação e garantindo um maior retorno publicitário aos anunciantes.

5 – Geolocalização que agrega publicidade ao conteúdo das busca através de GPS`s, enviando informações sobre produtos e serviços que estão disponíveis na região que o usuário está buscando. Para essa ação ser efetiva é necessário o conhecimento prévio dos perfis de usuários detalhadamente, seria por exemplo saber que produtos e serviços costumam consumir, os lugares que eles vão habitualmente, a região da cidade que eles vivem, etc.