Publicitário (a): Qual diferença o seu trabalho faz na vida das pessoas?

Desde que me tornei uma balzaquiana, tenho refletido muito sobre o impacto do meu trabalho na vida das pessoas. Minha cabeça deu uma reviravolta e comecei a pensar se o que faço enquanto publicitária é algo meramente fútil ou se tem um valor social agregado. Voltei a aquela discussão infindável que vivemos no início da faculdade: será que a publicidade é o lobo do capitalismo e só faz estimular o consumismo?

Fui vivendo minha vida com a pulga atrás da orelha até que me deparei com essa frase:

“Sucesso não é quanto dinheiro você ganha, mas a diferença que você faz na vida das pessoas”. Michelle Obama

Dei uma pausa na correria louca e comecei a pensar: bem, trabalho com comunicação digital, defino estratégia para aproximar as marcas das pessoas, muitas vezes, como sou uma espécie de faz tudo, até executo as criações e analiso os resultados. Mas, qual diferença isso faz?

Pois bem, após algumas pesquisas elaborei que a publicidade pode ter um grande papel social. Estima-se que a indústria publicitária aporta entre 1,5% e 3% ao PIB mundial, aqui no Brasil a publicidade movimentou só em 2013 R$17,5 bilhões de reais, junto com toda indústria de comunicação do país, foi responsável por 3% do PIB Nacional. Segundo o IBGE, no Brasil existem aproximadamente 23.315 agências de publicidade empregando 125.584 profissionais. Ou seja, movimenta a economia e gera empregos.

Depois percebi que o papel da publicidade vai além de criar desejos nos consumidores, nós somos responsáveis por levar informações sobre produtos e serviços e dar opções de consumo. Já pensou como seriam os preços se não existisse a concorrência entre tantas empresas? A exclusividade de alguns setores nos faz ter uma noção de como seria assustador e inviável viver sem tantas opções.

Para sintetizar as descobertas, aqui vão algumas funções da publicidade que me ajudaram a acalmar minha alma:

(1)  Econômica: ativa o consumo, ajuda a vender produtos/serviços a um maior número de pessoas possíveis, movimentando o círculo econômico (progresso tecnológico – incremento na produção – aumento do consumo)

(2)  Financiadora: possui papel fundamental no financiamento dos meios de comunicação, e, atualmente, das plataformas de relacionamento.

(3)  Realização pessoal: aproximar pessoas das marcas e instituições que oferecem produtos e serviços capazes de suprir suas necessidades.

(4)  Social: (a) suscitar a transformação social por meio de mensagens reflexivas, por exemplo, na quebra de estereótipos e na construção de novos valores comuns, e (b) informar a população sobre serviços públicos que dão a possibilidade de acesso a direitos garantidos pela constituição brasileira.

Pare um pouco e reflita: Será que o trabalho que você está desenvolvendo faz alguma diferença na vida das pessoas? Afinal, todos nós queremos entender o caminho para ter sucesso. 

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A esquizofrenia do mercado publicitário

“Todos os caminhos estão errados quando você não sabe aonde quer chegar” William Shakespeare

O mercado publicitário tem duas coisas extremamente irritantes, a primeira é a exaltação do estrangeirismo. Quem não é lá muito adepto dessa compulsão parece até sofrer de algum “delay” profissional de tão generalizada que ela é. A outra é a esquizofrenia por novidades, a mudança é quase obrigatória e não necessariamente a consequência de uma evolução (seja ela pessoal ou da área).

Me preocupa que a nossa base profissional seja tão superficial que qualquer brisa redirecione a nossa rota. Não é porque surgiu um novo conceito ou estratégia que sua agência/você tem que renomear áreas, funções e cargos. Pensa num diálogo entre gestores de agências definindo os próximos passos:

– Temos que contratar um Social Media. Melhor ainda, um Community Manager.

– Não pera tem que ter uma área de BI, vamos investir em softwares plenos.

– Wait, vamos focar em Big Data.

– Não tem que priorizar o Marketing de Conteúdo, vamos fazer muito Storytelling.

– Está bem, mas isso não é nada sem um Inbound Marketing completo e de qualidade.

Claro que os conceitos e estratégias mencionados não são excludentes, o diálogo até que faz bastante sentido. Mas, o que me deixa desconfortável é saber que, muitas vezes, essa obsessão por novidades esconde profissionais sem profundidade de conhecimento da sua responsabilidade enquanto comunicadores. O Tiririca ecoou em sua campanha o questionamento “você sabe o que um deputado federal faz?”. Chego a pensar que os profissionais do mercado de comunicação também estão precisando de uma auto avaliação e indagar a si mesmos “você sabe o que um comunicador faz?”.

Não podemos ser tão abertos ao novo e fechados para a essência do papel do comunicador. Nós não somos contratados para “modernizar” a marca com o buget do cliente. Somos contratados para entregar resultados, para levar o consumidor ao ponto de venda, para fazer a máquina de consumo girar. Somos contratados para levar uma informação clara na linguagem e no tom ideal para o público-alvo. Somos contratador para suscitar o desejo de consumir, seja bens materiais ou não. Somos contratados para persuadir e envolver.

É lógico que todas essas estratégias ajudam a cumprir o nosso objetivo, mas o entendimento do negócio do cliente, um raio-x do target e do seu comportamento enquanto consumidor vêm muito antes de definir qual ferramenta usar para mensurar os resultados, por exemplo. Vejo tanta gente criticando Philip Kotler por ele estar ultrapassado, no entanto ele teve um papel fundamental na evolução real da nossa área, quase tudo que ele escreveu continua valendo, nada daquilo se perdeu e sim é uma base essencial para o marketing. Imagina você conversando com um médico que detona um antecessor porque criou a primeira técnica de cirurgia da vesícula que está defasada. Tenho certeza que é improvável, pois para avaliar se considera quantas vidas ele salvou, os recursos que ele tinha disponível, além do quanto disruptivo e inovador ele foi para a época. Por favor, respeita o moço!

Que mensagem estamos passando para os nossos clientes? No mínimo que estamos perdidos e não sabemos muito bem o que fazer. Você entregaria a sua empresa nas mãos de profissionais com um discurso tão efêmero? Tudo bem que o grande Zygmunt Bauman disse que “Vivemos tempos líquidos. Nada é para durar.” Mas, minha gente, é muita modinha para pouco resultado real.

Não estou dizendo que o profissional não deve se atualizar, não deve estar atento as mudanças do mercado. Exatamente o contrário. É preciso ler muito, participar de muitos eventos, bater muito papo com colegas da área, para poder perceber essa loucura e manter um posicionamento mais equilibrado, se distanciando dessas novidades que se tornam verdades absolutas tão rapidamente e que são totalmente perecíveis.

* O estrangeirismo presente no texto é uma sátira.

 

Por Danila Dourado

Palestra Social Media Week

Encorajada pela infinidade de profissionais pregando mazelas que existe no mercado digital, resolvi submeter uma sugestão de palestra para o próximo Social Media Week que acontecerá em São Paulo entre 14 e 18 de setembro de 2015. A ideia é falar sobre a desavença eterna que existe entre as agências tradicionais e digitais para saber quem de fato é “mais merecedor” do cliente, do case, da conta e da verba. Deixo aqui um resumo mais completo para que os interessados possam entender melhor a proposta, e, caso gostem, votem em mim: http://call4paperz.com/events/social-media-week-sao-paulo-2015/proposals/1681  (pior que tá não fica…piada infame, não resisti).

Agências tradicionais x digitais: uma batalha controversa – follow the money

Uma disputa começa sempre que surge uma nova demanda no mercado, afinal existe realmente a necessidade de novos players, neste caso as agências digitais, para barganhar esses clientes ou é só criar uma nova área nas agências tradicionais para oferecer uma comunicação mais “integrada”? A proposta da palestra é confrontar o modelo de negócio dessas agências para entender, sobretudo, a proposta de valor que elas oferecem às marcas ávidas por impactar usuários e, por outro lado, identificar o modelo de rentabilidade que elas utilizam. A base da apresentação será a pesquisa do doutorado da palestrante, onde investiga-se se as agências digitais brasileiras possuem um modelo de negócio estruturado e quais são os componentes principais que determinam o sucesso neste segmento. Follow the money, é aí que mora a contraversão dessa batalha. 

Se você não me conhece e deseja saber mais sobre esse ser: https://daniladourado.com.br/sobre-mim/

Febre das compras coletivas: pós x contras para os consumidores e as empresas

Ontem (28/02) aconteceu o 2º Bate-papo Ecommerce em Salvador, o debate girou em torno da febre do momento, as compras coletivas. Eu e o Cláudio Urpia, do site Ofertas Clube, fomos os palestrantes dessa edição que despertou fortes discussões com um público engajado e participativo.

Nesse momento, expliquei que apesar das compras coletivas sem um modelo implantado na internet recentemente, é um negócio que existe há muito tempo e integra a economia solidária. Essa última objetiva “a associação entre iguais em vez do contrato entre desiguais” (SINGER, 2002).

Após essa observação realizei uma análise dos pós e contras dos sites de compra coletiva alternando o ponto de vista entre consumidor e empresa anunciante.

 

DO PONTO DE VISTA DO CONSUMIDOR


Vantagens para consumidores

  • Preços baixos
  • Ofertas diferenciadas
  • Oportunidade de experimentação
  • Manter contato com seus grupos de relacionamento indicando novas ofertas
  • Acesso a opinião de outros consumidores sobre os estabelecimentos anunciados

Alertas para consumidores

  • Falsos descontos
  • Discriminação no atendimento
  • Estabelecimentos que não possuem estrutura para atender a demanda
  • Queda na qualidade dos produtos/serviços ofertados
  • Spam diários
  • Cancelamento de aquisições
  • Cobrança em duplicidade

 

DO PONTO DE VISTA DAS EMPRESAS ANUNCIANTES


Vantagens para empresas anunciantes

  • Economia de investimento na captação de novos clientes
  • Divulgação da empresa ampliando o conhecimento da marca
  • Promoção rápida e em larga escala
  • Lucro por volume de vendas
  • Desovar estoques
  • A quantidade de players viabiliza negociar comissão

 

Alerta para empresas anunciantes

  • Alta comissão sobre as vendas
  • Oferecer produtos/serviços abaixo do preço de custo
  • Limitar o volume máximo de acordo com a capacidade de suprir a demanda
  • Seleção de parceiros
  • Capacidade de entrega dos produtos

 

Finalizei com uma dica para os novos players que desejam ingressar nesse mercado tão promissor, e, ao mesmo tempo, tão acirrado: sem maiores pretensões, diria que os empreendedores que desejarem atender a demandas específicas devem trabalhar em projetos de compra coletiva especializada em nichos de mercado. O volume de vendas pode ser menos intenso, mas a qualidade e direcionamento das ofertas tendem a garantir um maior retorno do investimento para seus anunciantes.

 

Deixo a apresentação “Compra coletiva: possibilidades e oportunidades” completa abaixo para aqueles que desejam uma maior aproximação à temática.