A presença dos negros nas agências de publicidade

“Sou sertanejo. Não sei se por isso, mas sou meio cético, examino muito bem todas as ideias que me apresentam” Ariano Suassuna

Outro dia estava vendo uma aula do Ariano Suassuna, e ele disse essa frase. Me identifiquei muito, não só por ser do Sertão baiano, mas por ter que me aproximar mais de alguns temas para ter uma maior empatia. E não seria diferente com a inclusão racial.

Já estive no time que pensava que a vida era difícil para pobres negros e brancos da mesma forma. Que ao invés de ficarem ‘se fazendo de vítima’, os negros deveriam ir lá e mostrar o seu potencial. Assim é a meritocracia, mas de tanto acompanhar debates sobre uma discriminação velada em toda a sociedade que reflete no mercado de trabalho, comecei a ter a curiosidade de analisar como seria na prática. Meu desconhecimento sobre a inclusão racial era mais uma questão que ainda não tinha sido plenamente elaborada, estava em aberto e precisa de um maior aprofundamento para conseguir me posicionar melhor.

Com esse interesse prévio, a publicação realizada pela agência Africa, que trouxe uma intensa discussão sobre a presença de negros na publicidade, foi muito construtiva. No começo pensei que fosse mimimi, que ninguém pode fazer nada mais na internet que vem os black blocs na timeline, mas fui vendo que não era bem assim. De fato a industria publicitária tem sido cruel com as minorias.

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Por mais que eu odeie reivindicações que não agreguem uma ação com potencial de transformação, toda essa visibilidade do post no Facebook da agência foi super útil por despertar a vontade de entrar nos sites de várias agências e verificar se tinham negros na equipe. Em uma observação rápida, vi que era praticamente nula. Logo pensei em fazer um estudo e identificar o percentual de negros nas 50 maiores agências de publicidade do Brasil, segundo o ranking do IBOPE. Convidei o André Brazoli, que já trabalhou comigo na Moringa como analista de monitoramento e métricas, e a Teresa Rocha que também tive a oportunidade de conhecer como gerente de projetos na PaperCliQ. Ambos são negros, super engajados na causa e atuantes no mercado publicitário.

Pois bem, analisamos e descobrimos que de 404 executivos da alta direção das agências analisadas, apenas 3 são negros, um percentual ínfimo de 0,74%. Fomos além, fizemos uma busca aleatória no Linkedin de 893 profissionais que declaravam em seus perfis que fazem parte de alguma das 10 primeiras agências. Para nossa surpresa, apenas 3,5% são negros. Veja o estudo completo:


Valorize a diversidade em sua agência

Realmente a diversidade no mercado publicitário é um problema, estamos em uma área elitista, e, por mais incrível que pareça, conservadora. Mas, pensamos que não necessariamente seja por racismo, pode ser pela dificuldade de acesso dos negros à qualificação – por demandar muito investimento (tempo e dinheiro) na formação. Para tentar ajudar na inclusão dos negros nas agências de publicidade, fizemos um formulário onde os profissionais podem realizar um cadastro simples com nome, área de atuação, especialidades e link do currículo. Clique aqui.

Prometo manter uma lista atualizada aqui no blog com esses nomes :)

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