Pesquisa agências digitais

É com alegria que lanço hoje, a pesquisa “Modelos de negócio das agências digitais criativas”. Como já tinha comentado aqui, estou realizando essa investigação para a minha tese de doutorado.

Os dados serão coletados por meio de um questionário baseado na metodologia Business Model Generation, que possui 9 blocos de construção visualizados em um canvas.  O foco da pesquisa são as agências que oferecem serviços digitais, sejam elas puramente digitais ou não.

O objetivo é estruturar um modelo que possa ser utilizado para aplicar melhorias em agências que já estão no mercado, ou ainda pode ser utilizado como guia para a chegada de novos players. O público-alvo das respostas do questionário são presidentes, CEOs e diretores de agências; um perfil bem específico, já que preciso de algumas informações estratégicas que só a alta gestão tem acesso.

Preciso muito da ajuda de vocês para divulgar esse estudo e conseguir o máximo de respostas possíveis. Em troca elaborarei um relatório com as principais conclusões da pesquisa.

Deixo aqui uma apresentação da pesquisa para que vocês possam entender todo o contexto.

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O negócio do Facebook é você

 

Para qualquer empreendedor é imprescindível realizar o benchmark do seu setor de atuação, esse diagnóstico lhe dará subsídios para uma caminhada mais assertiva no mercado. Acreditando nessa máxima, inicio uma reflexão sobre a jóia da coroa do universo digital, o Facebook. Uma mídia social generalista que está chamando atenção não só por possuir mais de 500 milhões de usuários[1], mas por aplicar a estratégia da inovação, estabelecendo um forte diferencial competitivo ao seu negócio.

Pensado nisso resolvi abordar o tema da minha dissertação: o modelo de negócio do Facebook. Uma pesquisa exploratória partindo de um caso de estudo, que analisa um caso particular e a partir dele é possível aferir implicações no todo. Ou seja, os demais sites de redes sociais podem se enquadrar no modelo sugerido.

Para facilitar o entendimento, é necessário ressaltar o conceito de modelo de negócio que considero ao realizar a análise. Por isso, referencio a Ethiraj, Guler & Singh (2000:19) que conceitua um modelo de negócio como:

Uma configuração única de elementos que abrange as metas, estratégias, processos, tecnologias e estrutura da organização, concebidos para criar valor para os clientes, e, portanto, competir exitosamente em um mercado particular”.

Essa definição engloba todos os processos envolvidos no negócio, considerando a soma dos recursos utilizados para agregar valor a uma organização, sejam eles para rentabilizar ou para gerar um diferencial intangível. Na verdade acaba sendo um pré-requisito, já que é pouco provável que uma marca consiga aplicar o modelo de rentabilidade sem antes criar uma vantagem competitiva.

Após realizar uma vasta análise dos recursos oferecidos pelo Facebook, cheguei à conclusão (não definitiva) que o grande negócio dessa plataforma é você. Em outras palavras, são as informações que você oferece ao curtir um conteúdo, comentar no mural de um amigo, subir uma foto, clicar em uma mensagem; enfim, você é a galinha dos ovos de ouro do Marck Zuckerberg. Sim, mas como isso acontece?

O seu comportamento de navegação é o que potencializa o ROI da plataforma, já que todas as estratégias desenvolvidas necessitam dessa informação prévia para ser melhor enfocadas e gerar um maior retorno do investimento. Nesse sentindo, o substrato para que o modelo de negócio funcione provem do tráfico realizado pelos usuários. Sendo assim, quanto maior é o tempo e atividades executadas durante a navegação, incrementa-se proporcionalmente a rentabilidade do Facebook.

Aplicando essa consideração ao modelo de negócio da plataforma, o qual foi dividido em duas categorias maiores (modelo de rentabilidade e modelo de criação de valor intangível), proponho uma estrutura que sustenta o modelo de negócio desenvolvido pelo FacebooK:

 

Ao observar o infográfico acima é possível identificar que as informações adquiridas pela plataforma possibilitam a aplicação do Behaviorial Targeting, uma segmentação dos usuários a partir do seu comportamento de navegação. Essa técnica possibilita oferecer conteúdos à medida, que respondam as expectativas do público. Desse modo, consegue-se aumentar o contato dos usuários com a marca otimizando a conversão dos objetivos estabelecidos.

 

O mais interessante é que os recursos desenvolvidos pela plataforma, na busca por rentabilidade, acabam sendo utilizados como suporte para o desenvolvimento de negócios que beneficiam as próprias marcas divulgadas. Por isso, em uma análise perspectiva do Facebook, diria que ele está caminhando rumo a uma consolidação como uma poderosa plataforma de negócio, deixando de ser vista apenas como uma mídia social que gera comunicação direta com o público.


[1] Estatística oficial do Facebook, disponível em http://www.facebook.com/press/info.php?statistics

SAIBA MAIS:

Dourado, D. 2010, Modelos de negócio nas mídias sociais: todos os holofotes são para os usuários. In: #MídiasSociais: Perspectivas, tendências e reflexões. Salvador, pp. 118-127.

Fernandéz, Ó.R., Pablo, S.B. & Egea, R.T. 2010, Facebook: Aplicaciones profesionales y de empresa. Ediciones Anaya Multimedia, Madrid.

Sánchez, J.I.L. & Sandulli, F.D. 2007, “Evolución de los modelos de negociosen internet: situación actual en España de la economía digital”, Economía industrial, vol.364, pp. 213-229.

Modelos de negócio nas mídias sociais: Todos os holofotes são para os usuários.

Esse é o título do meu artigo no ebook colaborativo #MídiasSociais: Perspectivas, Tendência e Reflexões, que co-organizei com a PaperCliQ.

 

Na continuação do texto, abordo o valor da participação dos usuários, o destaque da minoria na nova economia digital e os novos modelos de negócio das mídias sociais. Finalizo com uma reflexão que oferece algumas diretrizes gerais de atuação para as empresas que pretendem gerar ingressos através dessas novas mídias.

 

Se deseja realizar o download do artigo Modelos de negócio nas mídias sociais.

 

Abaixo cito parte da introdução na íntegra:

 

As mídias sociais representam uma transformação na mediação da informação. Até pouco tempo, se uma empresa queria divulgar seus produtos e serviços, recorria aos meios de comunicação massivos para que sua mensagem pudesse alcançar um maior público. No processo comunicativo atual, o cenário é diferente. A figura do intermediário, como conceituada até então, já não é de suma importância, o que viabiliza a comunicação direta das marcas com seus consumidores. Com essa quebra hierárquica entre meio e mensagem, indubitavelmente, a Internet tem reduzido “a importância dos intermediários, já que a rede permite aos usuários acessar uma vasta gama de produtos e serviços, ignorando assim os intermediários locais” (Quelch & Klein, 1997 in Quintero, Obra & Meléndez, 2000:68).

 

Através desse contato direto com os consumidores, as marcas podem obter informações relevantes sobre o perfil do seu público, pois passa a conhecer seus gostos e hábitos pessoais, sabem quais são seus interesses, tem acesso às opiniões dos usuários e, assim, podem “analisar estes dados juntamente com as tendências do mercado, para oferecer produtos e serviços que eles demandam” (Fernandez, Pablo & Egea, 2010:58). Essa transformação no processo comunicativo reverbera na percepção das empresas sobre seus consumidores, ou seja, afeta diretamente a comunicação e os modelos de negócio B2C (Business to Consumer).

 

A forma de perceber a audiência deve estar em consonância com o modelo colaborativo baseado na comunicação participativa inerente às mídias sociais. Nesse novo panorama, a organização já não possui o controle absoluto sobre a mensagem midiática, o que provoca receio por parte de alguns executivos ao decidir por aplicá-los ou não à sua estratégia de marketing e comunicação.

 

No entanto, é fundamental que as empresas valorizem as vantagens competitivas que estas novas mídias oferecem, já que, segundo Flores Vivar (2009:79), as redes de conexões sociais, como um todo, incitam “o surgimento de possibilidades de colaboração e novos modelos de negócios que potencializarão àquelas empresas que estão preparadas e levará ao fracasso as que não conseguirem se adaptar”.

Existe um modelo de negócio viável para as redes sociais?

Para responder essa pergunta, vou partir de um estudo que elaborei recentemente com a Marta Fernandéz intitulado: “Mirada Hacia el Futuro: Planificación estratégica en el negocio de las redes sociales”, analisamos estratégias que estão sendo aplicadas nos Estados Unidos, Europa e Ásia e concluímos que existem alguns modelos de negócios que estão funcionando:

1 – Freemium, consiste em oferecer uma App grátis e cobrar por algumas funções especiais. Segundo um estudo de Juniper Research, esse modelo representará ingressos de 14 bilhões de dólares para a indústria de dispositivos móveis em 2014. Um bom exemplo é a App Store da apple, que vende aplicativos para o IPhone, alguns deles são oferecidos gratuitamente, mas depois de instalados os usuários tem a opção de baixar partes avançadas do aplicativo. Com esse tipo de recurso em um ano a Apple Store conseguiu mais de 1,5 bilhão de downloads.

2 – Social Shopping que consiste na compra e venda de produtos através das redes sociais, seria o e-commerce dentro das mídias sociais. Esse modelo está tendo êxito na Ásia, estima-se que os asiáticos gastaram 5 bilhões de dólares no ano de 2009 em compras mediante redes sociais como Qzone, Cyworld na Coréia do Sul e na rede de telefonia celular Gree do Japão, segundo Plus Eight Star. Esse modelo pode ser muito efetivo quando analisamos a realidade sobre recomendação nas mídias sociais, 78% dos consumidores confiam mais na recomendação de uma amigo ou familiar do que em qualquer outra fonte de informação, segundo estudo feito por Nilsen.

3 – Não é um modelo, mais é uma via para agregar valor e o negócio ficar mais atrativo para anunciantes e investidores, seria investir no Behavioral Targeting, que é uma técnica de segmentação baseada no comportamento de navegação dos usuários. Através da aplicação dessa técnica se pode conhecer que conteúdos o usuário lê, quanto tempo passa neles, com que freqüência consultam, as palavras chaves que buscam, etc. Fornecendo dados suficientes para que possamos reagir frente a esses perfis, com envio de mensagens publicitárias adequada, uma oferta eletrônica para estimular o social shopping, e inclusive mostrar conteúdos diferentes de acordo com o perfil do usuário. O Facebook utiliza essa técnica para envio de mensagens publicitárias de acordo ao perfil do usuários.

4 – Investir em redes sociais verticais, que tratam de temas específicos, arrematando consumidores que tem predisposição real em determinados assuntos. Os usuários estão conectados por um interesse em comum, criando assim um ambiente extremamente receptivo a mensagens sobre o tema central da discussão. Proporcionando, dessa maneira, uma maior eficácia na comunicação e garantindo um maior retorno publicitário aos anunciantes.

5 – Geolocalização que agrega publicidade ao conteúdo das busca através de GPS`s, enviando informações sobre produtos e serviços que estão disponíveis na região que o usuário está buscando. Para essa ação ser efetiva é necessário o conhecimento prévio dos perfis de usuários detalhadamente, seria por exemplo saber que produtos e serviços costumam consumir, os lugares que eles vão habitualmente, a região da cidade que eles vivem, etc.